Segredos do praliné

Segredos do praliné

 

O alimento dos Deuses

 

Cultivados desde o ano 400 pelos maias (séculos IV-IX), os cacaueiros tornaram-se um verdadeito objecto de culto para os toltecas (séculos IX-XII). Na cultura azteca (séculos XII-XVI), estas árvores constituíram o mais belo ornamento do paraíso onde reinava o deus Quetzaloatl. No inicio, os indígenas apenas comiam a polpa ácida e refrescante das cabossas e punham de parte as favas, que eram amargas. Ninguém sabe de quem foi a ideia de fermentar e torrar as favas, esmagando-as depois para fazer uma pasta que, misturada com especiarias, era diluída em água e agitada com o auxílio de um molinete, para produzir espuma.

Com o passar do tempo, os aztecas fizeram do chocolate a sua bebida nutritiva de todos os dias. Enquanto o rei bebia o chocolate puro numa taça de ouro, o povo contentava-se em aromatizar com chocolate as suas papas de milho, que consumiam em recipientes feitos das carapaças das tartarugas.

As favas secas eram também usadas como moeda de troca. Uma abóbora valia quatro favas, um coelho valia dez, e um escravo chegava a 100 favas. Este sistema monetário era também usado para cobrar os impostos.

Os médicos-feiticeiros encontraram propriedades medicinais no cacau: permitia combater a fadiga e debelar a diarreia. Quanto à manteiga de cacau, servia para preparar unguentos para sarar as feridas, as queimaduras e as hemorróidas.